Como tudo na vida, o primeiro encontro não poderia ser diferente... Não saiu exatamente como o planejado... Logo de cara não tivemos a presença de todas as ACS.. Tivemos apenas o contato com a Isabela (a mais comunicativa e extrovertida - 6 anos como ACS e 1 ano la na UBS em questão), a Maura (inicialmente parece ser meio fechada, mas depois "quebrou o gelo"), a Juliana (a mais nova no serviço, tem muita vontade em colaborar) e a Rita (não deu pra perceber muito sobre ela). E também quem esteve conosco foi a Enfermeira chefe, Fernanda.
O nosso bate papo foi muito rico, pudemos perceber a motivação da equipe em fazer dar certo, e também a frustração que elas possuem com o serviço público. As frases a seguir foram ditas por elas:
"O que me motiva é porque sou feliz no que faço."
"As pessoas esperam muito do nosso posto de saúde [...] a gente não tem muito o que oferecer a eles."
Sobre o maior desafio... "[...] É conquistar a confiança de quem atende."
"Muita gente é carente de conversa" - Quando falaram da população de abrangência da UBS, que, segundo elas, tem uma grande parcela de idosos que moram sozinhos.
Outra sendo mais 'pessimista', não sei bem ao certo como falar, talvez 'frustrada' caiba melhor: "A comunidade não quer chegar nem perto da gente"
Mas apesar de todos os problemas como o espaço físico da UBS prejudicado pela ocupação de outros setores lá na Unidade, pela falta de pessoal (Só tem 1 clínico geral, por exemplo), esses impasses com a comunidade... Percebemos que a equipe é bastante unida.
E como disse Fernanda: "Desistir não é a solução" e "Motivação. É a única coisa que eu espero de vocês"
Tomara que consigamos ajudar de alguma forma.. Nem que seja com a motivação pra essas profissionais. Fiquei empolgada com esse encontro.
O nosso bate papo foi muito rico, pudemos perceber a motivação da equipe em fazer dar certo, e também a frustração que elas possuem com o serviço público. As frases a seguir foram ditas por elas:
"O que me motiva é porque sou feliz no que faço."
"As pessoas esperam muito do nosso posto de saúde [...] a gente não tem muito o que oferecer a eles."
Sobre o maior desafio... "[...] É conquistar a confiança de quem atende."
"Muita gente é carente de conversa" - Quando falaram da população de abrangência da UBS, que, segundo elas, tem uma grande parcela de idosos que moram sozinhos.
Outra sendo mais 'pessimista', não sei bem ao certo como falar, talvez 'frustrada' caiba melhor: "A comunidade não quer chegar nem perto da gente"
Mas apesar de todos os problemas como o espaço físico da UBS prejudicado pela ocupação de outros setores lá na Unidade, pela falta de pessoal (Só tem 1 clínico geral, por exemplo), esses impasses com a comunidade... Percebemos que a equipe é bastante unida.
E como disse Fernanda: "Desistir não é a solução" e "Motivação. É a única coisa que eu espero de vocês"
Tomara que consigamos ajudar de alguma forma.. Nem que seja com a motivação pra essas profissionais. Fiquei empolgada com esse encontro.
Dia 2 - 22/03/2016
Hoje o dia começou cedo, acompanhei a ACS Juliana, fomos na Travessa Monte Cristo, no Pontalzinho. Logo de cara o que pude perceber foi a quantidade de ladeiras extremamente íngremes que haviam lá, a falta de passeios em boas condições, uma escadaria em péssimo estado..
Mas em geral foi bastante construtiva essa ida a campo. Em conversa com a ACS, descobri que ela morou a vida toda em uma das ruas que ela dá assistência e atualmente reside bem perto, por isso, ela já conhece muita gente da área, ao menos os que são mais antigos no local.
Ao menos pelo o que ela me contou, a maioria das pessoas que ela consegue visitar são de meia idade e idosos, e ainda assim há uma dificuldade para encontrar as pessoas em casa, por motivo de trabalho ou estudo. E teve uma história que eu achei interessante de uma moça que não permitiu que a Juliana entrasse na casa porque estava com medo já que há pouco tempo que uns caras vestidos como agentes de endemias entraram numa casa e assaltaram. E como o bairro Pontalzinho é relativamente perigoso, a dona da casa ficou com medo, pediu que ela viesse outro dia com alguma identificação oficial.
Outra coisa que achei interessante foi que Juliana me relatou que algumas casas ela não visita porque são de pessoas com deficiência (principalmente auditiva), e quando perguntei se elas não recebiam nenhuma capacitação ou curso de libras, a resposta foi não.
Ademais, pude conhecer um senhor (Seu José), 95 anos, que quando a ACS começou a perguntar sobre as doenças que estavam na ficha ele disse "agora eu vou te dizer tudo não, por que eu não tenho nada, nem dor eu sinto" [...] "só pode ser proteção Divina", e quando ele foi perguntado se tomava um "cházinho", o mesmo respondeu: - Não, minha filha. Porque um dia eu parei pra pensar, se o médico passa um remédio, é um comprimido ou uma gota, mas o chá a gente não controla o quanto toma, então eu parei de beber chá. Porque tudo em exagero faz mal, não é mesmo?
A palavra que me define é ENCANTADA.
Achei tão interessante que elas acabam presenciando a intimidade das famílias, e algumas pessoas na rua até falam "você vai voltar que dia lá em casa?", de fato há a criação de vínculos, e isso é tão importante, porque há tanta gente chata que complicaria tudo se não fosse assim..... e algumas visitas demoram tanto, teve uma em que gastamos cerca de 40 minutos, pois a senhora não nos deixava sair e ficava conversando. E por fim, quase toda hora alguém nos parava pra perguntar "Vocês são do combate a dengue?"
E um detalhe, a ficha de cadastramento individual é FANTÁSTICA, muito completa.
Que ótimo seu relato, Clara. Muito bom ver você se posicionando na escrita. Fiquei pensando que podemos aproveitar algumas categorias de análise a partir dos relatos. Falaremos disso.
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