15.03 - Primeiro encontro
Chegamos na UBS antes das 14:00 h e nos deparamos com uma sala branca, com 6 cadeiras e dois bancos - sendo que um desses foi trazido posteriormente pelos estudantes. Chegando lá fomos, antes de mais nada preparar os docinhos para a recepção e dinâmica dos ACS.
Com tudo devidamente organizado, ficamos a espera dos profissionais de saúde do local ao som das músicas tocadas pela colega Natália.
Com a chegada de todas as ACS, tivemos uma conversa rápida, explicando nosso principal objetivo e expondo o nosso desejo de poder colaborar com os serviços ali prestados. Através de perguntas norteadoras presentes na dinâmica, as profissionais foram relatando um pouco sobre suas experiências, dificuldades e anseios.
Trata-se de um "trabalho árduo", relatou uma ACS. Segundo as profissionais que nos receberam, algumas de suas colehagas já choraram em serviço, ja foram assediados e até entraram em depressão.Devido a essas e outras situações, em alguns lugares é preferível fazer o atendimento na porta da casa, ao invés de dentro. Alguns problemas da própria UBS foram relatados, como a falta de alguns equipamentos básicos para o atendimento - aparelhos para aferir a pressão e para a glicemia, balança, etc.
Foi possível notar que as ACS estão passando por um processo muito grande de desmotivação. "A gente tenta colocar um sorriso, mas é difícil" afirmou Fernanda, a enfermeira. O maior desejo delas é conquistar a confiança da comunidade, e isso tem sido conseguido aos poucos, sobretudo na população mais idosa, que costuma ser mais receptiva por ter uma necessidade maior de atenção, cuidado e alguém para conversar.
Por fim, a expectativa que as agentes demonstraram com relação a nossa participação foi o nosso apoio, nossa ajuda e colaboração ativa. "Espero que vocês somem muito mesmo" exclamou Isabela, ACS.
Estudantes organizando os doces para a dinâmica
Equipe de Práticas Integradas da UFSB
Equipe de ACS da UBS
22.03 - Conhecendo o Território
Cheguei na UBS pouco antes das 8:00 e fiquei no aguardo, junto com alguns colegas, até às 8:30, quando as ACS chegaram. Fomos devidamente divididos e saímos por volta das 8:50. Foi informado que esse é o horário rotineiro de saída, pois parte das casas de visita são de estudantes, que normalmente acordam um pouco mais tarde.
A minha ACS se chama Michele, começou com esse trabalho há oito anos, mas recentemente se mudou para essa UBS, pois a antiga unidade em que trabalhava se encontrava muito distante da sua residência atual. Cada ACS é responsável por cerca de 800 pessoas, de acordo com o novo modelo. O território da Michele corresponde a metade da Av. Amélia Amado, partindo das casas próximas ao resturante/lanchonete Kasquito até o Itão, próximo da rodoviária e faz normalmente 4 visitas por dia, sendo 2 no período matutino e 2 no período vespertino.
Nesta manhã percorremos toda a microárea e conversamos um pouco sobre o cotidiano da ACS. Foi abordada a questão do acesso às casas, que por muitas vezes é inviável, devido a falta de confiança de alguns moradores, ou até pelos desencontros diários. A cobertura dos ACS no centro é uma prática nova e por isso causa muito estranhamento em alguns moradores - principalmente nos mais velhos - que acreditam se tratar de campanha política. Em casas assim, a Michele relata que já foi muito maltratada e, em alguns casos, hoje não insiste mais.
A agente ressaltou a importância de um maior cuidado ao observar o território para que não se passe desapercebido locais de moradia ativa. Como exemplo, temos a escola AFI, onde vivem algumas freiras, e alguns comércios onde o proprietário reside.
Foi a mim apresentado o formulário de visitas. Atualmente é usado um formulário individual, que relata com mais detalhes a situação de cada pessoa, tratando com mais atenção as necessidades encontradas.
A primeira visita que fizemos foi de uma senhora, dona de um comércio onde reside. A senhora se demonstrou bem receptiva, conversou um pouco sobre a correria rotineira, alguns problemas de saúde da família e sua situação física.
A segunda visita foi feita à uma idosa hipertensa simpática, que possui um filho que teve AVC há pouco tempo - e não estava em casa. Conversamos sobre a situação de saúde dela e de sua família, sobre o consumo correto de medicamentos e sobre o lazer dela, que é o artesanato e a pintura de quadros.
A terceira visita foi feita a uma senhora idosa hipertensa e diabética, com duas filhas portadora de deficiência física. Fomos recebidas com muita atenção e cuidado e foi notado por mim a necessidade de atenção, conversa e companhia de alguns moradores mais idosos.
Por fim, conversamos um pouco sobre a UBS, que está em processo inicial de implantação, ainda com muitas dificuldades e limitações. A unidade comporta 8 ACS e possui apenas uma médica cardiologista que atua como Clínica Geral e atende duas vezes por semana, em um turno e uma enfermeira. Trata-se de um local em construção e que necessita de muito apoio.
Fomos até o final do território - próximo ao Itão - e nos despedimos por volta das 10:00h.



Excelente registro, Aksa, mas senti falta de você falar de como se sentiu nessas situações. O que pensou, como isso marcou você?
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