sábado, 2 de abril de 2016

1º Contato com o Território - 22.03.16

Andar acompanhando uma ACS num bairro que eu já conhecia trouxe-se uma lembrança de um dos assuntos abordados em quadrimestre anterior, "os personas". Está no território com o olhar voltado para o cuidado, para a promoção da saúde foi a grande novidade desse primeiro contato.
As depressões do território, a média de idade dos moradores da comunidade, a média de renda já eram fatos conhecidos, mas pensar em como alcançar essas pessoas com a atenção primária do SUS foi FANTÁSTICO!
Acompanhei o dia de trabalho da ACS "Osmaria", a escolha foi estratégica, ela não havia participado do nosso primeiro encontro. Durante o caminho fui provocando-a a falar sobre o seu dia a dia e dentro dos assuntos das perguntas motivadoras. 
O olhar da agente era de esperança, vontade de alcançar as pessoas com o um sistema feito para eles, mas cheios de limitações. Ficou claro durante a visita que a comunidade não conhece o SUS; muitas vezes pensamos que apenas a periferia não conhece o SUS, mas a maior parte da população independente da renda não o conhece. Além disso, a ACS tem de sempre está preparada para os diversos "NÃO", já que a maioria do moradores têm plano de saúde privado. 
Outro entrave é a questão do acesso, a maioria das residências são prediais, prédios antigos e sem interfone. Além disso, o bairro recebe muitos estudantes, tendo assim um fluxo muito rotativo que dificulta ainda mais o trabalho das ACS. 

Problematizações
- Como conscientizar a comunidade a aderir ao SUS?
- Como a UBS acolhe/atende a comunidade idosa que ao saber do atendimento médico procura a unidade?
- Como propor alguma intervenção nesse atual cenário de instabilidade política e ano de prefeituráveis? 

1º Contato com a UBS - 15.03.16

O primeiro contato com a UBS - José Maria de Magalhães Neto não trouxe muitas surpresas enquanto a estrutura da unidade. Ao chegarmos nossa equipe foi atendida por recepcionistas simpáticos de meia idade. Ficamos lotados na sala de medicação dentro dos padrões tradicionais biomédicos: ambiente branco e cinza. 
Alguns objetos e utensílios estavam dispostos na sala, a maioria com aspecto velho. Cadeiras de plastico, uma maca aparentemente inutilizada, mesas, uma cadeira de rodas.
O ambiente trazia um ar de abandono, após abrirmos as janelas o ambiente mudou totalmente, a brisa vinda do ambiente externo tornava a sala cada vez mais aconchegante. "Receber qualquer atendimento naquela sala do jeito em que a encontramos, nossa (...) horrível."
Após esperarmos alguns instantes e termos preparado a dinâmica, uma ACS chegou meio desnorteada e com pressa. Alegou que não estava sabendo do nosso encontro, e isso surpreendeu toda a equipe, que ficou atônita. Felizmente após alguns minutos as demais ACS foram chegando, para nossa tranquilidade.  
Iniciamos nossa dinâmica com as ACS e a Enfermeira chefe da unidade, as perguntas motivadoras provocaram-nas para contar mais sobre seu território, e como é o dia a dia do seu trabalho. Foi possível destacar no discurso delas o desafio de atuar como ACS numa comunidade de implantação recente do programa, dessa forma a existência de muita resistência de adesão ao programa e a SUS. Apontaram ainda que o público atendido é diferenciado, por se tratar de indivíduos de classe média e classe média/alta, além de serem em sua maioria idosos e estudantes que se hospedam no território enquanto estudam na cidade.
Quando começamos a discutir sobre a atuação da UBS foi possível perceber uma apreensão quanto a cobertura do território e as práticas de humanização. Fiquei com uma angústia, é sempre possível arrancar sorrisos? A partir do discurso da enfermeira chefe.
Faltam muitos materiais e equipamentos na unidade, além de limitações na disposição do espaço. Contudo os profissionais que participaram do encontro se mostraram dispostos a fazer o que for possível para melhoria na atenção. 

Problematizações 
- Quais serviços de saúde a comunidade cobra? Quais serviços a USF oferece?
- Apreensão quanto ao assunto Humanização, será possível? 
- Como criar e fortalecer vínculos  dos ACS com comunidade atendida?